Devo tomar remédio?

O remédio é um assunto que traz muito tabu e também causa muita dúvida nos tratamentos de transtorno mental. Por isso, vamos tentar responder todas as questões sobre medicamento e depressão:

Em todos os casos de depressão é sempre necessário tomar remédio? Não!

Existem três graus do transtorno depressivo: leve, moderado e severo. Nos casos de leve e moderado nem sempre é necessário usar medicação. O seu benefício é muito mais eficaz em casos graves.

O psiquiatra Dr. Fernando Duarte explica que o remédio começa a ser fundamental à medida que o quadro depressivo vai se agravando, quando sai de leve ou moderado para o grave. Essa transição pode ser sentida quando a pessoa percebe que o transtorno começa a comprometer a sua vida no trabalho, na vida familiar e comunitária.

Os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos. Esses medicamentos não devem ser usados para tratar depressão em crianças e não são também a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela e sempre com orientação médica (OPAS).

COMO SEI QUE PRECISO USAR O ANTIDEPRESSIVO?

O psicólogo ou psiquiatra precisa sentir a real necessidade do paciente, é essencial ter essa sensibilidade, entender a pessoa e a história dela, diz a psicóloga Thais Santos.

A psicóloga Marília complementa: não é anular a possibilidade de uso do medicamento, mas ter cautela e crítica.

Portanto, é preciso olhar para cada caso de forma isolada e não generalizar o uso do antidepressivo em todos os casos.

Geralmente, o psicólogo faz um acompanhamento de um ou dois meses antes de encaminhar para o psiquiatra.

A pessoa que sente estar com depressão poderá ir tanto ao psicólogo como ao psiquiatra, ambos conseguem avaliar e tratar com medicação ou sem, se for o caso.

IMPORTANTE: o paciente sempre será ouvido, e se por algum motivo manifestar o desejo de não usar remédio isso pode ser conversado com o profissional.

TRATAMENTO

A decisão do uso de medicamentos é muito particular e depende de cada caso. Por isso, se for um quadro leve ou moderado e for necessário tomar remédio, essa avaliação pode levar cerca de um ou dois meses. E o tratamento pode ser curto.

Também existe um período de adaptação ao uso do medicamento. A média para entender se o corpo aceitou a química é de quinze dias. Mas, somente com uns três meses o profissional consegue fazer uma avaliação mais precisa e com até seis meses acertar a dosagem e sentir como o organismo absorve e o corpo reage.

A avaliação e acompanhamento médico é imprescindível.


TERAPIAS ALTERNATIVAS PARA DEPRESSÃO

Temos de lembrar que a depressão é causada por algum desequilíbrio em nossa vida, o momento de crise também pode ser um chamado para o autocuidado.

Klein

A partir da frase de Klein, reforçamos que existem diversas formas de tratamentos alternativos para a depressão, até mesmo o autocuidado e mudança no estilo de vida.

As terapias alternativas são eficazes na cura para depressão?

Para psicólogos e psiquiatras não existe contraindicação. As terapias alternativas são grandes aliadas no tratamento da depressão, porém, não substituem a orientação médica e o tratamento com remédios, – principalmente no quadro de depressão severa.

Os tratamentos alternativos podem funcionar e ajudar, sim! A sugestão é que a pessoa faça terapias nas quais ela confia e acredita. Terapias são sempre bem-vindas.

Os manuais de psiquiatria indicam apenas tratamentos com eficácia comprovada e por existirem milhares. Há, portanto, uma dificuldade de comprovar todas as formas de cuidado. De acordo com os graus da depressão, estas são as indicações:

Depressão severa: Psicoterapia e Farmacoterapia. Pode complementar com terapias alternativas.

Depressão leve e moderada: Psicoterapia ou Farmacoterapia. Pode complementar com terapias alternativas.

Depressão leve: Psicoterapia. Já que, na maioria dos casos, não é necessário o uso do remédio.