Depressão e ansiedade na faculdade: causas e sintomas

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Depressão e ansiedade na faculdade: causas e sintomas

A entrada no Ensino Superior representa para os alunos o início de uma nova etapa cheia de desafios e incertezas, que muitas vezes causa ansiedade e pode chegar à depressão.

A própria natureza da adolescência, um estado entre dois paradigmas, definido por duas negativas – “Não sou criança, mas também não sou adulto” – contribui para aumentar o sentimento de incerteza e angústia. A perceção, verdadeira ou falsa, de que “não valho nada”, “não tenho futuro” ou ainda de que “não vale a pena fazer nada para mudar a minha vida”, instala-se como uma sombra, acrescentando as dificuldades e desafios impostos pela exigência da escola e do futuro: entrar para a faculdade, escolher o curso certo, criar novas relações de amizade, lidar com colegas e professores e ser bem-sucedido no mercado de trabalho.

De acordo com a psicóloga clínica norte-americana de ascendência russa Margarita Tartakovsky, a idade média de início para muitos problemas de saúde mental é a faixa etária típica da faculdade, dos 18 aos 24 anos.

Causas

Os estudantes universitários, sobretudo os que se encontram deslocados a viver longe das suas famílias, são uma população muito vulnerável a perturbações mentais, como depressão, ansiedade, stresse e até burnout. Por um lado, muitos destes jovens preenchem a sua vida com atividades extracurriculares que resultam de uma estratégia, por vezes inconsciente, de não pararem para pensar em si próprios, porque se o fizerem podem ficar deprimidos. Por outro, o facto de estarem a viver longe do seu núcleo familiar potencia o sentimento de estarem desenraizados, o que pode acentuar as suas tendências para o isolamento social e a melancolia.

Embora muitos de nós considerem a entrada no Ensino Superior um momento alegre, que simboliza a concretização de um sonho, ela também pode ser encarada como um acontecimento stressante: a chegada a um novo desconhecido. Neste caso, os estudantes do primeiro ano estão particularmente expostos, uma vez que enfrentam uma série de novas incertezas durante o período de transição de começar uma nova vida na faculdade. O isolamento e o baixo desempenho académico podem tornar-se características importantes, mas raramente são as razões principais pela procura de ajuda.

Impactos

De acordo com o Royal College of Psychiatrists, as doenças mentais têm um impacto tão profundo que pode ser triplo:

  1. Sobre o aluno com o seu desempenho prejudicado: os sintomas de ansiedade e depressão associados à falta de concentração podem levar a atrasos na conclusão de trabalhos e insucesso nos exames. Podem ainda contribuir para o adiamento do curso, já que um aluno pode levar de 3–6 meses ou mais para recuperar a partir da sequência de uma depressão. Em última instância podem levar ao abandono do Ensino Superior, uma vez que o aluno pode não estar em condições de concluir o curso.
  2. A instituição: um estudante deprimido pode ser uma influência negativa sobre os outros estudantes e pode colocar uma pressão considerável sobre os funcionários da instituição e dos seus apoios, sistemas de aconselhamento e de saúde.
  3. Família e sociedade: a dificuldade em concluir um ciclo de estudos é um grande revés não só para o estudante, mas também para a família que muitas vezes tem de o apoiar emocionalmente e financeiramente e, ao mesmo tempo, lidar com a perda das suas aspirações para os seus filhos.

Procura ajuda

Como se pode ver, a depressão na faculdade é algo que pode acontecer a qualquer aluno e nem sempre há um motivo específico para a origem desse problema. No entanto, é importante estar atento aos sintomas, identificar os fatores que o desencadeiam e, acima de tudo, saber como enfrentar e ultrapassar esta fase mais difícil.

Conversar com amigos próximos e familiares pode ser uma possibilidade, uma vez que, ao saberem do seu estado de saúde, podem ajudar a superar este problema. Vê a nossa infografia para perceberes o que deves dizer ou não dizer a um amigo com depressão:

Para além disso, é muito importante procurar ajuda profissional, consultando regularmente um psiquiatra, que prescreverá a medicação necessária, e um psicólogo, que ajudará a reavaliar o estilo de vida e promover mudanças cognitivas e comportamentais. Uma outra sugestão passa por procurar os serviços de apoio psicológico da instituição de ensino. No caso da Universidade do Porto, os SASUP (Serviços de Ação Social da Universidade do Porto) disponibilizam vários serviços de apoio aos seus estudantes, nomeadamente consultas médicas, de psiquiatria, psicologia, nutrição. O objetivo é escutar, apoiar e prestar a assistência necessária, para que o percurso académico e profissional não fique para trás.

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