Masculinidade tóxica: quais são os impactos na saúde mental dos homens?

Os homens estão habituados a seguir certos estigmas sociais, sentindo que precisam de demonstrar a sua virilidade a partir de diversas práticas estereotipadas, e, dessa forma, provar o seu valor perante os outros. A grande problemática desta questão é que viver numa reafirmação constante é uma grande pressão, e, consequentemente, a masculinidade tóxica pode resultar em distúrbios psicológicos sérios nesses indivíduos, inclusive podendo levar à depressão.

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O que é masculinidade tóxica?

O conceito refere-se a um perfil masculino pautado em condutas sociais antiquadas, que, teoricamente, estariam associadas à virilidade. Agressividade, força bruta e opressão são algumas das características que estão contidas nessa ideia, e, são o que se espera dos homens inseridos numa lógica de masculinidade hegemónica patriarcal. 

Desde a infância, os meninos são ensinados a não chorar ou demonstrar fraquezas, a utilizar a brutalidade, serem competitivos, porque esses e outros comportamentos, supostamente, seriam posturas esperadas por parte dos homens. Atitudes como falar sobre sentimentos, emocionar-se ou demonstrar fragilidade, a partir dessa lógica, seriam práticas ligadas ao feminino, e são inaceitáveis aos homens. Em resumo, masculinidade tóxica é uma performance de género que procura atender certas expectativas sociais. A triste consequência disso é um número crescente de indivíduos que precisam de lidar com a frustração de não conseguir alcançar um padrão inatingível que se espera deles. 

É importante perceber que a noção de masculinidade tóxica se baseia no senso comum, e foi construída a partir de padrões esperados noutras épocas, onde as desigualdades entre os sexos eram mais gritantes. Em 2022, esse pensamento já não devia ter lugar, considerando os avanços no debate da igualdade entre os gêneros.

Como é que essas práticas afetam a saúde emocional dos homens?

Quando se fala em saúde mental masculina, a forma tóxica como as pressões sociais atingem esses indivíduos, que se encontram numa eterna busca para legitimar a sua condição de homem, leva ao desenvolvimento de diversos transtornos psicológicos sérios. É preciso perceber que o padrão de masculinidade mencionado aqui é intangível, e a busca por essa incontestável virilidade em todos os aspectos da vida desgasta aos poucos a mente do homem médio, que, comprovadamente, procura menos por ajuda médica. A ideia de que esses indivíduos devem ser uma fortaleza em todos os momentos torna-se numa barreira aos gritos de socorro.

Transtornos de bipolaridade, ansiedade e depressão são só alguns dos diagnósticos que nascem de toda a negligência masculina, tanto ao lidar com os seus sentimentos, como para procurar ajuda quando necessário. Os homens são menos propensos a terem pessoas próximas confidentes, ou seja, alguém para contar qualquer coisa, e, dessa forma, desenvolvem quadros psicológicos perigosos ao mesmo tempo em que tentam mostrar toda a força da sua masculinidade perante a sociedade. 

Por fim, o alerta deve estar ligado com a consequência final, o suicídio. Em setembro de 2020, a emissora RTP apresentou dados de relatório da Organização Mundial da Saúde, que confirmam que os gajos estão mais sujeitos a tirarem a própria vida do que as mulheres, independente da faixa etária. A emissora consultou um profissional da área da saúde mental, que reafirmou que as pressões sociais citadas no texto são causadoras da morte de milhares de homens que se encontram nestas condições psicológicas, em todo o mundo. Apenas em 2019, cerca de 700 mil pessoas morreram dessa causa (OMS), e a parcela mais afetada são homens entre 15 e 29 anos de idade.

Como combater a masculinidade tóxica?

A batalha contra esse mal que assola tantos homens ao redor do mundo não é fácil, e exige um grande esforço de quem mais sofre com essa questão. A transparência emocional é indispensável, e, o indivíduo deve compreender que lidar com sentimentos, emoções e frustrações é um ato de coragem, que não deve ceder ao que se espera dele a partir de uma construção social. A verdadeira personalidade deve prevalecer em relação aos padrões estereotipados do homem, e só com esse trabalho de maturidade emocional, a masculinidade tóxica pode, aos poucos, ser deixada de lado.  

Outra ação de grande importância, que auxilia no combate a esse problema social, é adotar uma postura crítica com as atitudes de amigos e familiares que transgridem os valores de uma “masculinidade saudável”. É importante, enquanto homem, conscientizar os outros a respeito de ações tóxicas, e indicar um caminho que cause menos desgaste mental aos envolvidos. Além disso, exaltar características e dirigir palavras de carinho a outros homens, por exemplo, são ótimas práticas a serem adotadas para a vida, servindo de exemplo e deixando claro que demonstrar emoções não faz de ninguém menos homem. 

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